Boa noite,
Madre Teresa de Calcutá, um espírito elevadíssimo que veio ao nosso planeta para distribuir simplesmente amor, disse uma vez: Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar; mas o mar seria menor se lhe faltasse esta gota.
Assim, todas as vezes vemos nossos irmãos sofrendo nas ruas, nas drogas, passando necessidade e morrendo por falta de caridade. Porque não fazemos algo então?
Você pode dizer: Ah, mas o que eu, simplesmente eu, posso fazer?
Leia novamente a frase de Madre Teresa e reflita.
Alguns meses atrás eu passei por uma situação em que tive a oportunidade de ajudar uma pessoa e neguei. Depois eu senti que errei, fiquei bastante envergonhado e, inconscientemente, pedi uma nova chance, uma oportunidade de devolver esta pequena, mas imprescindível, gota ao mar. Veja o meu depoimento Aqui.
Então, essa oportunidade veio, e Deus sempre se mostra infinitamente sábio em suas intenções.
Semana passada, num dia normal, eu estava almoçando em um restaurante onde as mesas ficam num local aberto, ou seja, o povo passa pelo meio do restaurante para ir a outros lugares. Notei uma senhora, muito simples, indo de mesa em mesa mostrando uns papeis e perguntando algo, recebendo sempre uma negativa como resposta. As pessoas simplesmente se negavam mesmo sem ouvir o que ela tinha a dizer.
Ela falava baixo, pois devia estar com vergonha de estar pedindo.
Quando ela chegou em minha mesa, veio pelo outro lado e recebeu outra negativa de um dos meus amigos. Instintivamente eu a chamei:
- Senhora, o que precisa?
- São remédios, eu não tenho dinheiro para compra-los.
Então eu perguntei se comprando os remédios para ela resolvia o problema. Ela me disse que sim.
Eu disse a ela que iria pagar minha comida e que sairia com ela para a farmácia. Ela me disse que esperaria lá fora.
E eu fui pagar o restaurante mas, quando voltei, ela não estava mais lá, nem lá fora. Voltei para a mesa onde estavam meus amigos sentindo um pouco de frustração. Eles começaram a dizer que, quando eu peguei as receitas e disse que iria comprar os remédios ela sumiu, pois as receitas eram falsas e o que ela queria mesmo era dinheiro. Não acreditei que aquela senhorinha estava com esta intenção, de enganar para obter dinheiro e me senti ainda mais frustrado.
Neste momento uma moça bateu em meu ombro e me disse: - Aquela Senhora está te esperando lá fora.
Fui mais que depressa e lá estava ela, me esperando, pacientemente.
Cheguei até ela e disse? - Vamos comprar os remédios para a Senhora?
E assim fomos, ela caminhava devagar e fomos pacientemente até a farmácia mais próxima. Ela foi me contando que não tinha recebido ainda a aposentadoria dela e que precisava dos remédios pois a dor nas costas era grande, entre outras coisas que conversamos. Eu estava com 3 receitas, mas quando mostrei ao farmacêutico, ela se apressou e disse:
- Não, é só este remédio aqui, os outros eu já tenho.
Achei interessante pois este gesto dela só veio me provar que o que ela queria mesmo eram os remédios, e somente os que ela precisava.
O farmacêutico me disse que aquele em especial era um tipo controlado e que não tinha naquela farmácia, e que a Drogasil, do outro lado da rua, tinha.
Bom, era uma caminhada a mais e, como aquela Senhora não andava muito bem, pedi a ela que esperasse numa cafeteria em frente e eu iria buscar os remédios, mais rapidamente. Pedi à moça da cafeteria para servir um suco de laranja àquela Senhora e que eu voltaria logo e acertaria com ela.
E assim fui buscar o remédio para ela, voltando alguns minutos depois.
Ela estava lá, me esperando. Eu me sentei com ela e entreguei os remédios, ela me olhou fundo nos olhos e me disse:
- Obrigado meu filho! Deus lhe pague em dobro.
E assim ela me estendeu a mão e se foi.
Eu ainda tomei um café, sem pressa alguma. Eu estava me sentindo leve e com uma impressão de que poderia voar. A sensação do dever cumprido, neste nível, é impressionante. O ar que eu respirava estava mais puro neste momento e senti o sol bater em meu rosto como a tempos não sentia. Meu espírito estava em paz e meu coração revigorado. Deus já tinha me recompensado.
Assim foi que Deus, em sua infinita grandiosidade, me deu a chance de provar que eu ainda posso ser um ser humano melhor, apesar de todas as minhas falhas; Ele me deu esta chance. Com isso, acredito que Deus me ama, pois não perdeu a fé neste seu filho.
Com isso, caros leitores, acredito que contribuí com a minha gota, neste mar sem fim e, como disse Madre Teresa, sem esta gota o mar seria ainda menor.
Paz a todos
MF
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