terça-feira, 26 de maio de 2009

Faça o que deve ser feito!


Boa Noite,

Vida de consultor é complicada. Passamos mais tempo no cliente do que com a nossa própria família..

E lá estava eu novamente enfiado em um avião, poltronas apertadas e aquele ar condicionado quase me congelando os ossos, esperando para abrir a porta e sairmos correndo daquele tubo de aço. Algumas pessoas estão ligando o celular naquele desespero de se comunicar com alguém e outras estão se acotovelando no corredor com suas malas gigantes (Os senhores da mala - Ver post sobre os terroristas).

Enquanto espero, percorro algumas poltronas com o olhar distraído e percebo rostos pesados, tristes, tensos como se preparando para uma briga. Não sei no que as pessoas deviam estar pensando mas posso imaginar algumas coisas. Fiz uma pequena lista bem rápido dos pensamentos destas pessoas:

- Preciso fechar esta venda senão vou ter problemas na empresa.
- Ainda não sei como vou resolver o impasse com o cliente. Preciso de uma estratégia.
- E lá vou eu de novo apagar incêndio.
- Será que vou conseguir receber o que o cliente me deve?
- Poxa, estou com saudade de casa. Esse negócio de ficar viajando está me matando.
- Preciso mudar de vida. Detesto meu emprego, mas preciso dele.
- Acho que deixei a cafeteira ligada em casa.

E muitas outras tantas coisas que passam pela cabeça das pessoas e que se refletem na expressão pesada ou fechada. Cada um tem seu motivo particular e está totalmente alheio ao que está se passando com a pessoa ao lado. Pode ser que a pessoa com quem você está se acotovelando esteja com o mesmo problema, mas como saber?
O que acontece muitas vezes, vejo e ouço isso das pessoas, é que elas estão realmente insatisfeitas com o trabalho que desempenham. Ou porque o salário é baixo ou ainda que não é reconhecido por seu trabalho e talvez ainda porque começou a fazer um tipo de trabalho que poderia ser interessante e promissor mas se tornou um peso e agora tem que conviver com ele pois foi a escolha dela.
Assim, o profissional se vê escravo do trabalho e não aguenta mais ficar lá mas ao mesmo tempo existem os benefícios como Vale-Refeição, Plano de Saúde, Vale Alimentação, Vale Transporte, PLR (Participação em Lucros e Resultados), 13o salário, férias, Fundo de Garantia e outras coisas mais que as empresas usam para atrair bons profissionais.

Mesmo assim, as pessoas não estão satisfeitas mas continuam pois precisam pagar suas contas de água, luz, financiamento da casa própria, escola das crianças, cartão de crédito, gasolina, supermercado, roupas, etc etc etc.

Isso cria um ciclo vicioso, onde a pessoa precisa do emprego que detesta mas, como está a maioria do tempo trabalhando e viajando, não tem tempo para pensar em como sair desta "armadilha" e tentar ser dono do próprio nariz pois, apesar de todos os benefícios e a estabilidade que um bom emprego lhe dá, amanhã vem um guru de sei lá o que e diz que o mercado onde você está atuando está recuando e que é preciso cortar custos para não abrir falência, assim você se vê em uma situação complicada podendo perder o único emprego que detesta mas que se agarra a ele com unhas e dentes pois é ele que mantém o seu padrão de vida.
Parece um cachorro corredo atrás do próprio rabo. Passamos mais tempo preocupados com nossos rabos do que olhando para frente para perceber as oportunidades que se abrem o tempo todo à nossa volta. É natural não aproveitar algumas, mas não é natural perdermos todas.

Porque?
Por que estamos preocupados demais em não perder o que temos, mesmo não estando satisfeitos, que deixamos de ter o que poderia nos satisfazer.
...
A porta do avião se abre e um monte de gente de terno e gravata e caras fechadas sai em disparada como se o único objetivo da vida delas fosse sair de dentro daquele tubo de aço e ganhar a escada em direção à esteira com as malas.
A maioria das pessoas tem a vida que não gostam para sonhar com a vida que gostariam de ter mas não param para pensar como poderiam fazer o sonho virar realidade.

Podemos mudar o nosso estilo de vida? Sim, podemos.
Vai ser fácil? Não sei.
Vai ser rápido? Talvez não, mas precisamos começar. Se você ganhar 20 Milhões na MegaSena vai ajudar, ou não.

Com um pouco de reflexão percebi que eu também estava com a cara fechada e que me sentia culpado por viajar tanto e ficar longe da minha família. Pior ainda, eu estava acomodado com o meu trabalho e, mesmo que não gostasse dele, continuava pois isso fazia com que minhas contas fossem quitadas. Percebi que eu trabalhava para pagar contas e não para a minha real felicidade.

No final das contas, o que faz as pessoas continuarem a fazer o que fazem mesmo sendo infelizes é o medo de perder aquilo que têm. O medo determina o seu limite e fecha-o para o que realmente importa. Quando aprendermos a dominar o medo, aprenderemos a tomar conta de nossas vidas, de uma forma tão natural que nunca mais lembraremos de como ela era antes disso.
Com um pouco de atitude, inconformismo, ousadia e inteligência podemos conseguir resultados excelentes.

Paz a todos
MF

2 comentários:

Anônimo disse...

Estranho que por mais insatisfeito que a gente esteja com nosso trabalho, independente do motivo, não temos coragem (pelo menos não imediata) de jogar tudo pro ar e ir atrás daquilo que realmente nos faça bem e feliz.
Talvez por culpa da própria sociedade que nos impõe, sem que percebemos, padrões de vida e cotidiano que muitas vezes não conseguimos acompanhar mas batalhamos para isso nos mantendo nesse emprego infeliz e estressante.
Mas a vida é assim, o mundo é capitalista e muitos de nós tem medo de arriscar.
Lute pela sua felicidade e se não der certo, recomece. Sempre é tempo de recomeçar.
Abraços.

Tabeliã disse...

Realmente a maioria das pessoas tem medo de mudança... vivem a mesma monotonia de sempre por medo de tentar algo diferente. Mas nunca é tarde para corrermos atrás dos nossos sonhos... aliás, para conquistar a realidade que sonhamos. E se hoje sua vida está assim, levante a cabeça, bata a poeira e siga em frente em busca de uma vida melhor. Nunca é tarde, há sempre tempo de recomeçar.
Que Deus te abençõe sempre.
Abraços