
Boa noite,
Hoje foi o meu "Dia Motoboy". O que significa isso? Vou contar...
Como a maioria (97.45% segundo última pesquisa Galop) dos meus leitores sabe, eu sou motociclista (Talvez daí venha o nome do blog), ou seja, prefiro 2 a 4 rodas por uma série de razões, além do prazer de dirigir uma moto e a facilidade de locomoção na cidade grande.
Mas, na minha família (Que não é tão pequena assim), eu sou o único motociclista. Mas e aí? O que isso tem a ver?
Significa que todos os serviços que ninguém quer fazer por ser demorado ou longe eles elegem o motociclista da família, que sofre uma promoção sumária e irrestrita para Motoboy. É sempre aquela coisa, onde tem que levar um documento num lugar bem longe ou pegar um exame médico, coisas assim, básicas. É sempre aquela história:
- Ah, de moto é muito mais rápido.
- Não existe trânsito para moto.
- Você vai costurando o trânsito e chega rapidinho.
- Se chover, olha, toma cuidado, leva a capa de chuva...
Hoje, então, tive a tarefa honorífica de buscar os exames odontológicos de meu filho na Vila Mariana e deixar outros documentos para uma pessoa na Barra Funda, a pedido de Mamãe. Bom, como estou em Barueri, é uma distância legal.
Saí umas 10:40hs, equipado e preparado para o pior, ou seja, a chuva. Tracei meu percurso da seguinte forma:
- Barueri-Vila Mariana via Castelo, Marginal Pinheiros, JK e Túnel Airton Senna
- Vila Mariana-Barra Funda via Paulista, 13 de Maio e Elevado
- Barra Funda via Marques de São Vicente, Ponte Piqueri, Marginal Tietê e Castelo
Traçado o percurso, saí tranquilamente. Encarei um trânsito razoável no final da Castelo, usei o corredor com cautela. Na Marginal Pinheiros tive o meu primeiro contratempo; começou a chover. Nesta momento, parei embaixo de uma ponte e tive o meu primeiro "Momento Motoboy", ou seja, coloquei a calça e a blusa plásticas para segurar a chuva. Nos mesmos 50 metros em que eu estava, outros 20 motoboys faziam a mesma coisa e conversavam animadamente. Entrei na conversa para não parecer A.S. (Anti Social) e depois peguei o meu caminho.
Com muita cautela consegui chegar à Vila Mariana, já bastante estressado, pois pegar trânsito em SP com chuva é cruel, para o corpo e para a mente.
A volta da Vila Mariana para a Barra Funda não foi menos cruel, pois o trânsito estava pesado e, apesar do que todos dizem, existe trânsito sim para as motos e deve-se ter muito mais cuidado ainda. Qualquer vacilada é chão!
Chegando à Barra Funda, parei a moto num bolsão de motos ao lado do Fórum, onde dezenas de motos de espremiam num espaço bem pequeno. Tive que fazer malabarismos, primeiro para estacionar entre 2 motos e depois para sair da minha moto. Tudo bem, consegui. Mais um momento sublime de Motoboy onde passei com louvor.
A volta foi tranquila, tinha parado de chover e voltei devagar, cantalorando músicas bem antigas, da época que eu ainda era criança pequena.
No final, foram pous mais de 2 horas e aproximadamente 90 km de percurso.
Cheguei cansado, tanto fisicamente quanto mentalmente. Parece pouco, mas 2 hs de trânsito em cima de uma moto, em SP, é cansativo.
Com isso, fiquei imaginando aqueles verdadeiros motoboys, que trabalham das 6 da manhã às 10 da noite, pegando e entregando de tudo, com aqueles baús atrás maiores que as motos. Acho que o sujeito entra em parafuso depois de um certo tempo e por aí entende-se as barbaridades que alguns fazem no trânsito. Não estou amenizando os erros, apenas tentando entender porque eles acontecem. Se em 2 horas eu me estressei, imagina o que acontece em 14, 15 hs todo santo dia. Depois os coitados levam o apelido de "cachorro louco"...
E olha que eu ainda pratiquei direção defensiva, ou seja, mantive uma distância segura dos carros, usei o corredor somente quando o trânsito estava parado, procurei não andar em cima das faixas pintadas no chão (Que com a chuva ela fica escorregadia) e dirigi tranquilamente, sem pressa, sem costurar.
Assim, da próxima vez que vocês virem um motoboy na rua (Ou muitos ao mesmo tempo), talvez um deles seja este cidadão que lhe escreve ou ainda, seja um pai de família, tentando ganhar a vida nessa loucura que é a cidade grande.
Deus proteja os motoboys.
Paz a Todos
MF

Um comentário:
Caro MF,
Não sei se é verdade, mas existe a teoria do "peido cataclístico".
Devido a composição do peido, se toda a humanidade (6 bilhões de pessoas) peidasse ao mesmo tempo e depois acendesse um fósforo, o mundo explodiria.
Esperamos que o mundo não tente comprovar esta teoria.
Saudações,
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