
Boa noite,
Quando, em 2006, a Itália foi tetra-campeã mundial, meu filho Jean tinha 4 anos. Ele não entendia o que estava se passando e, para falar a verdade, nem se importava muito com o fato do Brasil perder para a França. Ele nem era ligado em futebol e preferia assistir aos programas infantis do Discovery Kids do que a um jogo da Copa.
Mas 2010 chegou e agora ele, com 8 anos, adora futebol. Além de treinar na escovinha de futebol da escola, assiste aos jogos e vibra com cada gol. Quando o Brasil jogou, assistiu a tudo com muita atenção e sofreu como qualquer brasileiro. Cada gol era uma alegria e ele respirava futebol, esperando pelo próximo jogo. Como se não bastasse, ele assistia aos outros jogos e, quando eu chegava em casa, vinha comentar como tinha sido o jogo, quem tinha feito os gol e como tinham acontecido. Ele realmente viveu a Copa do Mundo.
No dia do jogo da Holanda, eu não consegui assistir em casa e acabei vendo no escritório, onde tinha uma TV para o pessoal. O Brasil perdeu para a Holanda, jogando de forma irreconhecível, dado o talento dos nossos jogadores. Depois do jogo, lamentei vagamente a derrota e voltei ao meu trabalho, sabendo que esta derrota não afetaria o meu dia-a-dia.
Mas, quando cheguei em casa a noite, minha esposa me disse que meu filho chorou quando o Brasil perdeu. Ele chorou porque acreditou que o Brasil realmente tinha o melhor time e que seria campeão, mais uma vez. Ele acreditou, como outros tantos 190 milhões de brasileiros, que tiveram que se contentar em assistir a mais uma final de Copa do Mundo sem o Brasil.
Eu perdôo o time do Brasil por perder pois a derrota faz parte do esporte mas eu não os perdôo por fazer o meu filho chorar.
Dias depois, eu fui jogar bola em casa, com meu filho, e ele me disse assim:
- Papai, eu sou o Snider, quem você será?
Neste momento, percebi o que tinha acontecido. O que aconteceu com o Kaká, Robinho, Luis Fabiano, Julio César, etc?. Porque meu filho agora tem, como herói, um jogador da Holanda e não um do Brasil? O que aconteceu com o nosso futebol arte, com a ginga brasileira, com a irreverência e a alegria de uma bela jogada.
Ao invés disso, nosso futebol se rendeu ao jogo truncado e violento dos europeus. O time não joga mais para vencer, e sim para não perder. Mesmo assim, perdemos. Assistimos a uma Copa sem graça, não porque o Brasil não ganhou mas porque o assunto mais interessante da Copa era um polvo vidente que acertava o vencedor do próximo jogo ou ainda uma modelo paraguaia pouco conhecida no mundo que fez seu nome colocando o celular entre os seios fartos e se mostrando toda na torcida.
Nosso futebol, nosso belo futebol de antigamente, sucumbiu, pois ficou com medo de se mostrar. Perder faz parte do esporte mas perder do jeito que perdemos, faz-nos repensar onde queremos chegar e que caminho devemos tomar.
No final, a notícia atual mais contundente do nosso futebol é o caso do goleiro do Flamengo, Bruno, acusado de assassinar a ex-namorada por um motivo desconhecido. Que triste!
Vou esperar mais 4 anos para ver se aprendemos alguma coisa com esta Copa e esperar ver novamente meu filho se orgulhar de ser brasileiro e querer jogar bola sendo um Neimar, Ganso ou outro craque que chegar para dar alegria ao nosso povo.
No mais, parabéns à Espanha que, dentre todos, talvez tenha sido o menos pior e o que soube perder menos.
Paz a todos
MF

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Abraços,
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