Boa noite,
Outro dia fiz a seguinte pergunta a um amigo:
- Você trabalha no que você gosta?
Instintivamente ele me respondeu:
- Claro, gosto das pessoas com quem trabalho, o ambiente é bom, enfim, eu faço o que eu gosto.
Então e perguntei de novo.
- Eu gostaria que você pensasse um pouco antes de responder; Você realmente faz o que gosta?
Ele me olhou, demorou-se um pouco mais e com um olhar já desanimado respondeu:
- É, eu não faço o que eu realmente gosto, faço isso porque foi o que eu sempre fiz e é o que eu sei fazer hoje. Sou casado, tenho filhos e contas a pagar e é por isso que continuo a fazer o que eu faço.
Conversamos mais uns minutos sobre isto e percebemos que, realmente, não trabalhamos no que realmente nos traz a felicidade plena.
Assim, suportamos nossos empregos, nossos clientes, nossos chefes, nossos colegas, o cafezinho ruim e as vezes frio e a comida enlatada no horário do almoço já parece sem gosto. Comemos porque precisamos comer mas não a saboreamos mais pois estamos pensando no que vamos encontrar quando voltarmos ao escritório.
Vestimos o que outras pessoas nos dizem para vestir, usamos um crachá pendurado como se fôssemos macaquinhos de circo, perdemos horas fazendo relatórios que muitas vezes são ignorados em alguma mesa ou que é lido com desinteresse por algum chefe insatisfeito e aborrecido, ficamos enviando e recebendo emails o dia todo, atendendo a telefonemos de clientes desesperados e querendo que o problema dele seja a prioridade das prioridades, preenchemos formulários para tudo que precisamos, desde pedir elásticos a notebooks, participamos de programas de qualidade, CIPA, Brigada de Incêncio, Sindicato, e talvez alguma comissão sem sentido de funcionários para brigar por mais bolachas recheadas na copa, junto com café frio e sem gosto.
Assim, fazemos isso tudo e porque?
Ok, temos que pagar nossas contas mas, será que não entramos num círculo vicioso?
Veja, quando não temos dívidas, qualquer salário serve e, de uma certa forma, éramos felizes com o nosso salário de fome, mas não passávamos fome. Depois de 10 ou 15 anos trabalhando, estamos numa posição razoavelmente confortável e com um salário compatível com o nosso nível mas, em contrapartida, temos um número enorme de contas para pagar: IPVA, IPTU, Seguro do carro e casa, prestação da casa/apto, Água, Luz, telefone, TV a cabo, Internet, Escola das crianças, a nossa pós-graduação, gasolina para os carros, Academia, condomínio, etc etc etc.....
Aí, não conseguimos largar o osso pois temos que trabalhar para pagar tudo isso e não conseguimos viver sem estas coisas.
Com isso, ficamos escravos do trabalho. Não podemos correr o risco de perder o emprego e com isso suportamos tudo, simplesmente para poder continuar, suportando...
Eu ouvi uma frase, muito interessante, que é mais ou menos assim:
"Fazer o que você não gosta é o maior desemprego que existe."
Enfim, é um desperdício de ser humano gastar toda a energia em alguma coisa que não traz prazer e paz de espírito.
Assim, continuamos e não sabemos onde vamos pois já nos distanciamos tanto de nossos objetivos que parece que não o enxergamos mais. É como se fosse um sonho distante.
Mas não, eu acho que sempre há tempo de se fazer o que realmente traz à alma aquela sensação de felicidade, de completude do ser e de elevação do Eu.
Não estou dizendo para largarmos tudo e partirmos para outra, sem olhar para trás; isso seria por demais radical e existem pessoas que nos amam e ainda tem fortes vínculos conosco. Podemos, aos poucos, ir direcionando nossa vida para o que realmente queremos e nos sentimos completos. Não será fácil e por muitas vezes pode parecer doloroso, mas no final sairemos vencedores.
Assim, como você mesmo que está lendo este post, estou aqui pensando se realmente estou fazendo o que eu gosto e, dependendo da resposta, já sei o que fazer em seguida.
Paz a todos
MF
O Poder da Escolha e O Efeito Borboleta
Há 14 anos

3 comentários:
Cara, esses dias mesmo li um artigo dizendo que o salário não é renda, é uma indenização que você recebe pelas horas perdidas da sua vida que são dedicadas à empresa. Renda seria o resultado financeiro de um investimento ou trabalho que faz para si mesmo, e não para os outros.
Abração.
Meyer
Grande Meyer,
Como sempre simples e direto.
Nunca tinha pensado por este lado. Realmente quantas horas são gastas, quantas vidas são perdias e quanta saúde é debilitada para sustentar a pujança do mundo corporativo...
Então hoje recebo indenização e busco o nirvana, ou seja, busco algo que me dê renda.
Abração
MF
oi garoto!
li seu blog e fiquei um tanto preocupada.às vezes dá a impressão que o ser humano é escravo da sociedade,buscando cada vez mais algo melhor pra sua vida e aí é que está a armadilha....a gente acaba entrando num circulo vicioso e fica dificil sair.mas dá pra amenizar quando as dificuldades e os deveres são divididos.só depende da boa vontade e concientização dos mais proximos.....
pense nisso..
abraços
vida
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